O Maníaco de Niterói
Esse conto é apenas uma brincadeira com alguns amigos meus de Niterói. Além disso quero deixar bem claro que é só um conto e que sou totalmente contrário a qualquer violência:
O MANÍACO DE NITERÓI
Em meio a correria de mais um dia de semana no centro da cidade do Rio de Janeiro ele entrou numa padaria no famoso Edifício Central o fez um singelo pedido:
- Eu gostaria de um italiano, por favor?
- O senhor não é carioca, não, né? É de Niterói? Perguntou o atendente?
- Sou, como sabe, é por que pedi um italiano e não um joelho?
- Não é porque falou “por favor”.
Durante um dia tão problemático e cansativo, o niteroiense riu. Talvez o único momento que tenha feito isso naquele dia. Se, entre tantas brincadeiras e rivalidades, os cariocas dizem que o único ponto positivo de Niterói é a paisagem da Baía de Guanabara, por outro lado os niteroienses retrucam, considerando a si mesmos mais educados e civilizados.
Poucas horas depois ele se encontrava parado no meio Ponte Rio-Niterói. Uma das coisas que ele menos suportava era dirigir no trânsito, menos ainda pegar engarrafamento na ponte. mas era algo corriqueiro para ele, que tinha relação com os dois lados da baía. Ele nascera e crescera em Niterói mas morava e trabalhava no Rio. Sexta sim, sexta não, atravessava a ponte para passar o fim de semana com parentes. Demorou mais de uma hora para atravessá-la, tendo levado 32 fechadas, sendo a última, de uma SUV, com placa da cidade do Rio, claro, que se jogou à frente do seu carro bem na hora em que ia pagar o pedágio depois de uma longa espera.
Ele sempre dizia, brincando que, com a construção da ponte, os cariocas estragaram Niterói. “Aqui era um cidade pacata”. Mas era fato que a ponte ajudou a fagocitar Niterói à metrópole carioca, dinamizara a cidade e tirou boa parte de seu ar bucólico. Ele sabia muito bem que se não mede caráter e bons modos a partir de qual cidade ou região alguém mora, mas ele acreditava que Niterói tinha a capacidade de atrair o pior dos cariocas. Os motoristas de SUVs, e aqueles, que por terem muito dinheiro, achavam ser os “donos do mundo”.
Quando finalmente chegou à casa dos parentes, não pode estacionar na garagem, pois alguém deixara uma SUV um carro em frente a entrada da garagrm da casa de seis parentes. A placa: era carioca.
Também gostava de animais, principalmente cachorros. Ao ligar a TV soube de uma grande caçada ilegal na África que havia matado centenas de animais, inclusive belos guepardos. Para relaxar, resolveu, então, passear e de cara viu um cachorro na rua com ar de abandonado. Triste, quase voltou para a casa, mas resolveu continuar a andar. Chegou então a um belo mirante e finalmente relaxou, esperando o magnífico pôr do sol em que o astro rei, envolto em algumas nuvens, toca levemente as montanhas cariocas e ilumina as belas águas do Atlântico.
Neste momento chega um carro, uma SUV que custara certamente mais do 10 carros populares 0km. Seu motorista então desce do veículo e, com toda uma intimidade que não lhe fora dada, apoia sua mão no ombro do pacato niteroiense e diz: “e aí tio, Niterói só é legal por causa da vista do Rio, né ‘mermo’”? A placa da SUV: só podia ser do Rio.
Ele passara a vida tirando de letra a famosa piada que carioca fazia sobre Niterói. “é um privilégio nosso, tem a beleza da vista e não tem os cariocas”, dizia. Mas naquele momento se enfureceu. Olhou para a triste figura do SUV, avermelhou-se de raiva, ainda ficou verde, azul. Um arco-íris de cores passou sua pela cabeça, mas depois, surpreendentemente, asserenou-se, deu meia volta e se retirou.
Não voltou à casa, deixou apenas um recado escrito a mão na porta falando para a família não se preocupar com ele. Então passou a rodar o mundo todo, quase invisível, em busca de justiça. Na África do Sul, por exemplo um bilionário holandês dono de uma agência de caça morrera milimetricamente alvejado. Ninguém soube quem o havia acertado.
Algum tempo depois, já no Brasil, caçadores postaram na internet fotos de filhotes de onças-pintadas decapitadas. Dias depois as cabeças desses mesmos caçadores foram encontradas penduradas num mirante na floresta. Ninguém soube quem poderia ser o justiceiro.
De volta ao Rio, ou a Niterói, ele usou um pseudônimo para alugar uma SUV. Ou a roubou, nunca saberemos ao certo. Depois conseguiu arrumar poderosos explosivos e dirigiu-se à Ponte Rio-Niterói numa véspera de um grande feriado. Gargalhava no carro e nem o sol forte, nem o trânsito e nem mesmo os motoristas em suas grande e fumacentas SUVs eram capazes de tirar sua paz de espírito. Ele então chegou ao alto do vão central, parou seu carro e ao som Trenzinho Caipira que tocava em alto e bom som no carro, detonou os explosivos, a ponte se despedaçou, e os SUVs voaram por dezenas de metros até cair na baía de Guanabara. E então ele disse a si mesmo: “Nunca mais um carioca pegará a ponte para fazer aquela piadinha infame sobre Niterói”.
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