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Mostrando postagens de março, 2023
É Impreciso Ter Coragem
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É Impreciso Ter Coragem Andar de trinta quilômetros num dia ja não é coisa para um covarde. Fazer isso por sete dias seguidos certamente é preciso ter coragem. Com o sol quente do Setão na cabeça, subidas, e até no chão dd areia, aí talvez até um pouco de loucura Naquele dia eram quase quarenta quilômetros de caminhada. Nunca se dizia qual era a distância correta. Pela areia, subindo a serra, descendo a serra e na areia de novo. Naquele ponto a paisagem lembrava ao mesmo tempo Marte, pelo Barro Vermelho e a Lua pois os paredões vistos de dentro dos meandros do Rio que davam a impressão de estarem numa cratera. Apenas os buritis e a vegetação nos cantos dos meandros os faziam lembrar que ainda estavam, talvez, na Terra. Tiravam algumas fotos, mas, por melhor que ficassem, não conseguia captar um décimo da alma daquele lugar. Anoiteceu e o grupo ainda caminhava pela trilha que seguia razoavelmente numa linha reta que cortava seguidamente os meandros do Rio. Não havia uma luz ...
A Re-Evolução dos Bichos
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Num átimo avistou-se o pulo que o leão deu na zebra, bote certeiro. Mas não se tratava de um ataque e sim de um gesto de confraternização. Abraçavam-se como grandes amigos que há tempos não se viam. A leoa dançava can-can de braços entrelaçados com quatro hienas. A cascavel e o rato papeavam alegremente enquanto o novilho beijava alegremente uma sucuri. Não havia rancores, nem nenhuma competição. Ninguém estava preocupado se era dia da caça ou do caçador. Muito menos queriam saber quem estava mais ou menos adaptado àquela região. Mais e mais animais chegavam à festa. Convescote este que se repetia em todos os biomas e continentes do globo. Até na Antártica. Da savana africana o leão havia transmitido a ordem a todo o planeta: sete dias de confraternização e trégua entre todos os bichos que existem. O motivo? Como já havia advertido Camus, o ser humano mal havia se livrado de uma pandemia e comemorava a cura enquanto algo muito pior estava por surgir. Veio a nova peste que o eliminou de...
O Humano
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Em certo dia, a hora, a hora Do meio dia que apavora Eu, caindo de sono cansado da revoada Pensando na saudosa Lenora, corva amada Morta outrora atropelada Naquilo que chamam de estrada Ia pensando quando ouvi na floresta Um barulho pequenininho E disse palavras tais: - É mais um bicho, de mansinho - Há de ser isso e nada mais Ah, bem me lembro, bem me lembro Num agradável dezembro Revoávamos como dois corvos amados Quando vimos na nossa densa floresta Uma linha pontilhada Chamam-na de estrada Tomar cuidado era o que nos resta Mas minha corva amada um dia descuidou Lá pousou Um bicho esquisito, gigante Muito rápido, num instante A atropelou Agora, a todo instante De descanso, ócio redundante Lembro de seu fim agonizante Volto o barulho, a escutar Mais um bicho a me espreitar?” Há de ser isso e nada mais” Mas o barulho não mais baixo era Estridente, diferente Quem chega a horas tais? Mais um bicho de repente? Há de ser isso e nada mais Minha alma então sentiu-se forte; Não m...
O Relógio
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- Seu Francis, o relógio novo quebrou. Disse Maria, que há décadas trabalhava para a família. Viu os filhos e agora vê os netos de Francesco, brasileiro, neto de italianos, crescerem. Era manhã de 31 de dezembro de dois mil e bolinha, ano marcado pela pior pandemia em mais de um século. Milhões morreram e continuavam a morrer pela terrível pandemia. Embora não mais que uma data inventada pelo ser humano, a virada de ano, poderia representar a virada do ser humano contra essa doença tão sacana. Francesco estava então na Serra Capixaba, com esposa, parte da família, netos, e poucos amigos. Havia a preocupação em juntar tanta gente em meio a pandemia. Porém não dava para se tornar refém do vírus. Depois de mais de nove meses alguma flexibilidade na quarentena haveria de haver, caso contrário, a todos e aos poucos, um vírus muito pior, o da loucura, tomaria conta. Ainda assim, todos os cuidados eram tomados pela família de Francesco. Sabendo o tanto de falta que o relógio fazia a Maria, Fr...
O Corvo em Quarentena
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À meia noite em quarentena Com o vírus matando lá fora Milhares numa noite serena Ele teima não vai embora Quando poderei sair de novo? Perguntava, por vezes chorava Sair sem máscara, sem medo, Abraçar, aglomerar Será que nunca mais? Procuro fotos para ver Cansei-me de vê-las no celular Também não posso sair Já vi todas do computador Onde mais? Procurei as fotos reveladas Num canto do velho armário Largadas Ao lado de um contra cheque de um velho salário E de um livro empoeirado Abri-lo num poema mofado Amado, odiado Antigo, um perigo Lá de Baltimore No fim, nevermore Lê-lo eu começo Imagino o corvo E peço Não quero ele, que estorvo Na leitura, absorto Um barulho ouço No quarto ao lado, que louco Não era possível, o Corvo Podia ser um Tucano Um carcará Um gavião Que a dias estava a rondar Mas logo um Corvo que aqui não há? Saiu do livro e veio para cá Não é possível, é minha imaginação Sou sugestionável É uma, nada doce, ilusão Mas o corvo parecia sábio Imponente e resistente Queria co...
Criei um Blog
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Com umas duas décadas de atraso criei um blog. Um blog que não sei se alguém irá ler, porque ninguém mais lê um blog. Mas criei para colocar contos, crônicas, poemas e tudo mais que já escrevi, escrevo, escreverei e acho que tenha alguma relevância. Se alguém por acaso se interessar em ler estará lá. Além disso, assim terei organizado e guardado muito do que escrevi ao longo do tempo. A primeira série de contos/poemas seguem o mesmo tema que engloba A Pandemia o Homem e os Animais. Dois poemas parodiando o famoso “O Corvo” de Edgar Allan Poe. Um que chamaria de “croniconto” (contos inspirados levemente em “fatos reais) e um conto baseado numa ideia roubada de meu amigo José Antonio que por muitos anos disse que escreveria sobre, mas de tanto esperar acabei por escrever.