Postagens

Mostrando postagens de setembro, 2023

Memórias de Uma Noite em Quarentena

Imagem
Essa eu escrevi num dos dias de panelaço, em quarentena, em casa, no auge de um momento em que vivíamos num país no fundo do poço e convivendo ao mesmo tempo com a pandemia: Primeiro levou a memória dos torturados Mas não me importei com isso Eu não fui torturado E das estupradas Como um rato, não liguei Elas mereceram, foram avisadas E dos assassinados Fui brilhante, ignorei Isso é coisa do passado Depois humilhou os negros Mas não me importei Seis arrobas não pesei Destratou os gays Deixa pra lá Eu me lixei Menosprezou as mulheres Não liguei pra palhaçada Eu não sou uma fraquejada Não foi por falta de aviso Brecht, há muito tempo narrou Mas não me importei com isso Já acabou Agora está levando minhas finanças Minha saúde. Até minha liberdade Só agora bato panela Preso na janela Mas agora é tarde Como não me importei com ninguém Ninguém se importa comigo

Certa Beleza no Cinza do Tempo

Imagem
Escrevi isso há muitos e muito anos e quando reencontrei e reli até que achei legalzinho: Dias escuros Tempos nublados O sol se esconde Sem hora nem data para voltar Tempestade valente Manhosa, resistente Escurece o mar e o ar Parecem meses anos séculos Sem um brilho no olhar Ao refletir um raio solar É fácil ceder Sofrer pra valer A alegria partir Sem viver, desistir Sem sentir o calor Nem o sol se pôr Hora de sentir a sutileza E estar atento Há uma certa beleza No cinza do tempo Aprecie até as grossas nuvens Até cada uma passar Levará do ar as impurezas Mais forte o sol brilhará Pois só quem já esteve na lama Sabe como é bom se limpar

Eu Mesmo aos 16

Imagem
Certa vez me indagaram o que eu diria Que carta escreveria Para um certo eu mesmo aos dezesseis Não sabia o que escrever Se já é difícil escrever para vocês Imagina a mim mesmo, o que dizer? Então me veio a ideia Com altos e baixos Minha Vida é poesia Então me pus a escrever: Eu mesmo aos dezesseis Sou você amanhã Muitos anos depois Que uma carta lhe fez O que posso lhe dizer Para você fazer Algo diferente Nesta vida que tem pela frente? Tenha menos medo Menos receio Salte para a vida Como no basquete do recreio Peço que seja um homem bom Ainda que esse dom Seja relativo Talvez cada mulher cada homem, cada ser vivo Ache que não erra É o mais íntegro da face da terra Então Não necessariamente bom Faça o que sentir correto No seu coração Mas é o que eu tenho feito Não foi o caminho perfeito Não foi a vida que sonhei Mas tenho motivos pra me orgulhar, eu sei Tenho minha história minha vida Gente querida Que passou e que dela faz parte Mas num rumo diferente Sumiria tudo de rep...

O Tapiti da Deusa Lua

Imagem
Antes de colocar o conto acho de bim tom avisar que hoje eu sei que não se deve falar "Velho Índio". Nas pensei em reescrecer de outtas formas e não consegui arrumar nenhuma que conseguiu substituir: O Tapiti da Deusa Lua - Não vejo na Lua o São Jorge e o Dragão como a maioria vê. Desde criança quando olho para ela vejo um coelho. Disse uma das garotas na trilha a Kléber. Kléber, então, começou a pensar no que disse a moça. A lua nem havia aparecido no céu, ainda estavam no meio da tarde e em noite de lua cheia, ela só aparece bem na hora do pôr do sol. Saíram do Sertão da Jararaca, lugarejo numa remota região do Brasil, e percorriam um trilha em direção a uma montanha conhecida como Rocha Rachada. Ele continuava a pensar no assunto enquanto caminhava, quando, para sua surpresa, escutou: “A moça está certa. É o nosso coelho selvagem, um tapiti”. A voz veio de um velho índio que havia encontrado no meio do caminho. Ou melhor, ele encontrou Kléber. E o velho índio contou que há...

Confissões

Imagem
Confesso que gosto de ver fotos de viagens, principalmente de caminhadas e travessias de trás para a frente, as mais antigas, de despedidas já com um ar de saudades, primeiro, e por último as dos primeiros dias, com aquele ar de suspense, um pouco de medo e sensação de uma aventura ainda por se iniciar. Confesso também que gosto de dar o nome a cães e gatos que eu vejo e não conheço. E como gosto de tudo ao contrário, os nomes sempre são o oposto do que os bichos aparentam: um cachorrão, Tiquinho, um daqueles pequeninhos, Titã. Certa vez estava na veterinária quando chamaram Zeus, então vimos que se tratava de um cachorrinho que não chegava a 20cm de altura. Precisei sair da sala de recepção para não cair na gargalhada. Confesso também que sempre gostei de, propositalmente, misturar filmes e livros cujos os nomes se parecem. Ultimamente, em função de 2 Travessias que fiz, tenho gostado de brincar com “Os Sertões” e “Grande Sertão Veredas”. Criar trechos como: “O...